segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Doulas: humanizando e respeitando o parto e nascimento




Nos últimos anos, surgiu no cenário de parto uma nova figura: a Doula. São mulheres que acompanham outras mulheres (e sempre que possível os casais/famílias) durante a gravidez, o parto e o pós-parto. As doulas recebem formação específica sobre este acompanhamento e a sua acção centra-se no apoio emocional e informativo (sempre baseado em evidências cientificas). Não praticam actos médicos e a sua função não pretende substituir nenhuma outra já estabelecida no parto, nem dos técnicos nem do pai.
O parto é um acontecimento natural e fisiológico, mas nas últimas décadas passou a ser olhado como uma patologia, centrado na acção médica e hoje temos como consequência, entre muitas outras coisas, uma taxa de cesarianas muito superior ao recomendável pela Organização Mundial de Saúde (mais do dobro nos hospitais públicos e cerca de 4 vezes superior ao recomendado nos hospitais privados). São cada vez mais as mulheres que tomam consciência de todo o processo de parto como não satisfatório, sentindo-se muitas vezes desrespeitadas, desvalorizadas, tomando o nascimento como um “mal necessário” a acontecer num ambiente hostil, cheio de intervenções, assumindo o papel de figurante em todo este “filme”.
No ritual de passagem que é o parto, é importante a mulher redescobrir a sua essência, olhar a sua força e determinar em si o acto de dar à Luz em todas as suas dimensões. Para que este resgate consciente possa acontecer, o parto tem que ser encarado como um evento naturalmente humanizado – onde a mulher e o bebé são protagonistas da sua própria história, respeitados nas suas necessidades e apoiados pela intervenção técnica que for necessária. É urgente que seja honrado o tempo da vida, reconhecendo que cada mãe e cada bebé são únicos e que o parto e o nascimento está muito além da manifestação física ou psicológica, é um evento profundamente emocional, sexual e espiritual. Se não é vivenciado de forma holística, nalgum momento se sentirá a fragmentação da experiência.
O trabalho da doula inscreve-se neste panorama da humanização do parto, ajudando a percorrer um caminho de responsabilidade, a encontrar ferramentas para que a grávida, ou o casal, possam tomar opções conscientes com base em informação cientifica. A doula ajuda a grávida a conectar-se como mulher, a encontrar a sua força, confiança e a acreditar em si mesma, na sua capacidade inata de gerar, parir e de nutrir o seu filho.
Os benefícios da presença de uma doula durante o trabalho de parto são comprovados por diversos estudos, onde são evidentes o aumento da satisfação das mulheres relativamente à sua experiência de parto e a diminuição do número de intervenções médicas desnecessárias.
A palavra doula vem do grego e significa “serva”, isto é uma mulher que presta serviço a outras. Longe de ser um conceito de subserviência, a Doula, é uma figura maternal, de protecção, que está ao lado da mãe para a ouvir, proteger, apoiar e responder às suas necessidades. Por tudo isso, se diz que a doula é uma “mãe para a mãe”. O apoio de uma doula vem antes de mais do coração e da sua sabedoria interior. É esta a sua principal ferramenta de trabalho, porque mais do que saber fazer, uma doula tem que saber estar ao lado da mãe com quem partilha o milagre do nascimento.

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